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sábado, 25 de maio de 2013

nicola, minha irmã psicopata



Tom Edgington tem poucas lembranças felizes de sua infância em Muswell Hill, um subúrbio ao norte de Londres. Seu pai, Harry, um homem sério e de poucas palavras, era um correspondente do jornal inglês Daily Mail, e trabalhava muito dentro de casa. Sua mãe, Marion, ao contrário do marido, era uma mulher bastante comunicativa e uma personalidade bastante popular no bairro. Além de Tom, o casal tinha mais duas filhas,Nicola, a mais velha, e Sara, a caçula. A família inglesa poderia ser apenas mais uma família normal mundo afora não fosse um seríssimo problema que girava em torno da irmã mais velha de Tom, a ruivinha Nicola.
Tom diz sobre sua irmã:
“Nicola parecia gostar de criar conflitos, colocando as pessoas umas contra as outras. Eu pensava que era normal, não tinha como eu saber que não. Crescemos como forasteiros no bairro, Nicola sempre tinha problemas na escola e os pais de colegas proibiam seus filhos de brincarem com ela por acharem que ela era uma má influência.”
Voltando ao passado, uma lembrança se destaca na mente de Tom. Ele tem quatro anos e está arranhado, sangrando, caído sobre uma roseira no jardim. Seu pai corre para ajudá-lo, ao lado, sua irmãzinha Nicola assiste à cena sem expressar nenhuma emoção. Foi ela quem o empurrou contra os espinhos. Repreendida pelo pai, ela apenas diz:
“Está feito!”
Ela chamava o irmão mais novo apenas de “coisa”, e essa não fora a primeira vez que ela tentara se livrar dele. Quanto Tom tinha dois anos, Nicola empurrou o seu carrinho de bebê pela escadaria de uma igreja durante um passeio de família. Por sorte, Harry conseguiu segurar o carrinho antes que este rolasse escada abaixo.
Tom diz:
“Todo mundo pensou que era apenas rivalidade normal entre irmãos e que ela iria crescer sem isso, mas Nicola só fez piorar. Pelo que eu me lembre, Nicola não era certa, não tinha empatia com os outros.”
Marion consultou psicólogos que disseram que Nicola era “normal”, mas segundo Tom, sua irmã era uma criança mestre em manipular:
“Ela era boa em fingir sanidade.”


Aos 11 anos, Nicola ficou incontrolável, fugia de casa e passava dias desaparecida.
“Uma vez minha mãe escondeu todos os seus sapatos para impedí-la de sair de casa, ela então pegava os meus e fugia. Ficava uma ou duas semanas sumida. Os serviços sociais diziam que ela era um perigo para outras crianças, mas eles não ajudavam minha mãe.”
Quando Nicola completou 12 anos, Marion deciciu mudar-se com a família para uma casa de campo em East Sussex, uma bucólica região no sudoeste da Inglaterra. Separada de Harry, ela queria levar sua filha mais velha para longe de Londres. Na capital inglesa, apesar da pouca idade, Nicola já havia enturmado com tudo quanto era má influência, passava as noites nas ruas bebendo e fumando com amigos. No novo lar, Marion colocou os dois filhos mais novos, Tom, 10 anos, e Sara, 07 anos, em um internato onde passavam a semana inteira longe de Nicola.
“Acho que minha mãe percebeu que Nicola poderia ser violenta, estava se tornando um risco para nós. Para mim foi um alívio ficar longe dela. Eu amei a escola e não queria ir para casa nos fins de semana. Ficar com meus amigos e ver como outras famílias se relacionavam, me fez perceber o quão mentalmente instável era Nicola e como isso afetou nossa família.”
Aos 15 anos, Nicola foi expulsa do colégio e passou a morar em um apartamento pago pelo seu pai, Harry. Nessa época, depois de inúmeras tentativas, sua mãe conseguiu levá-la até um Centro de Saúde e ela começou a tomar remédios controlados. Morando sozinha, porém, ninguém poderia garantir que Nicola tomaria sua medicação.
No seu aniversário de 13 anos, Tom visitou a irmã mais velha, mas a visita quase lhe tirou a vida. Nicola o fez fumar maconha e obrigou-lhe a consumir anfetaminas até que ele caísse doente. Talvez ela o tenha usado como uma espécie de cobaia para saber quantos comprimidos eram necessários para levar alguém a óbito.
Aos 17 anos, Nicola ficou grávida de gêmeos, mas teve um aborto depois que o namorado lhe deu um soco na barriga. Ela se mudou para Londres onde trabalhou como recepcionista e dançarina de boates de strip-tease. Aos 19 anos, ficou grávida novamente de um namorado traficante e deu à luz a um filho. Foi Marion quem ajudou a filha nos cuidados com a criança, o seu primeiro neto.
Dois anos depois, aos 21, Nicola se casou com um jamaicano que conheceu em um clube. Engravidou do seu segundo filho e viveu, talvez, o período mais estável de sua vida.
Tom diz:
“O marido de Nicola amava o primeiro filho da minha irmã como se fosse dele. Ele fez com que Nicola tomasse sua medicação, mas às vezes ela o tratava horrivelmente e o acusava de todos os tipos ruins de comportamento.”
O casamento acabou quando Nicola se juntou a uma igreja cristã evangélica e tornou-se convencida de que Deus, ao invés dos seus medicamentos, poderia curá-la. Ficou convencida de que estava cercada por demônios. Seu marido voltou à Jamaica e, quando Nicola o visitou, estava num estado tão preocupante que o ex-marido a proibiu de deixar o país com o filho do casal. Ela voltou para a Inglaterra apenas com seu filho mais velho. Marion estava tão preocupada com a segurança do neto que entrou em contato com o Serviço Social inglês para que este tirasse de Nicola a guarda do seu filho.
“Acho que minha mãe esperava que Nicola teria a ajuda médica que precisava e, em seguida, teria o seu filho de volta. Mas não foi isso o que aconteceu. Sem os filhos, Nicola perdeu seu alojamento e o dinheiro do governo, e começou a culpar minha mãe, que ficou bastante assustada e disse que Nicola poderia matá-la.”
Após o episódio das anfetaminhas, Tom mudou-se para a cidade de Brighton onde cursava faculdade de Teatro. Ficou anos sem ver a irmã e fazia de tudo para evitá- la. Em um fim de semana de Novembro de 2005, ele e sua irmã mais nova, Sara, decidiram visitar a mãe em East Sussex, e quem estava lá ?
“Foi tudo difícil e tenso. Nicola estava muito tranquila e ficou lá sentada escrevendo no seu notebook, enquanto eu tentava fazer piadas para aliviar o clima.” Diz Tom
O que será que Nicola escrevia no notebook ???
“Decidi levar Nicola para um pub para que, pelo menos, Sara tivesse algum tempo com nossa mãe. Fomos para o pub, mas Nicola foi convidada a se retirar do local por brigar com um DJ. Quando ela disse que estava voltando para Londres, fiquei aliviado.”
Nicola e o irmão Tom foram para um Pub e a primeira coisa que Nicola fez foi arrumar confusão com um DJ do local. Após ser expulsa do Pub, Nicola disse ao irmão que voltaria naquele instante para Londres, o que o deixou bastante aliviado.
“Eu telefonei para casa e perguntei pra minha mãe e Sara se elas não queriam se juntar a mim no Pub. Elas vieram, mas minha mãe não conseguiu um local para estacionar o carro e então deixou Sara e voltou para casa.”
Sara e Tom ficaram conversando e bebendo no Pub. Eles não poderiam imaginar o horror que estava por vir.
“No começo eu não conseguia entender o que estava vendo. Eu vi uma trouxa de roupas e duas pernas e pensei que minha mãe tinha convidado alguém para ficar lá. Falei para Sara que entrou no quarto e disse: Chame a Polícia!”
Ao voltarem para a casa da mãe, os irmãos veriam uma cena que nunca mais sairiam de suas cabeças. Marion, a carinhosa mãe que sempre cuidou para que os filhos vivessem em paz e harmonia, estava caída no chão com uma enorme faca cravada no peito. Marion estava morta.



Chocado pela cena, Tom imediatamente soube quem era a responsável por aquela barbaridade. Sua suspeita tornou-se uma certeza quando ele acessou o notebook que sua irmã Nicola, a poucas horas atrás, usava. Lá, havia um arquivo do word salvo no desktop com o seguinte título:
“Pessoas condenadas!”
“O nome da minha mãe estava no topo da lista, e estava riscado. Foi decepcionante, também, ver o meu nome na lista. Talvez ela pretendesse me matar.” Diz Tom.
Quando Nicola Edgington foi presa em um ônibus de Londres, depois de 16 dias em fuga, suas palavras foram:
“Foi Tom quem fez isso!”
“Não bastasse ela ter deixado o corpo da minha mãe para eu encontrar, ela ainda tentou me culpar por sua morte.” Diz Tom.
Após sua prisão, Nicola foi diagnosticada com esquizofrenia e transtorno de personalidade antissocial (psicopatia) e enviada a um hospital psiquiátrico após admitir o homicídio e por ter sua responsabilidade diminuída devido à sua condição.
Na época, Tom e sua irmã Sara disseram em um comunicado que:
“Finalmente Nicola está no lugar onde não poderá machucar ninguém e que pode receber à ajuda que desesperadamente precisa.”
Mas a tranquilidade para Tom, e sua irmã Sara, se transformou em medo quando, em 2009, Nicola foi libertada.
Por dois anos, ela morou na Ambdekar House, no bairro de Greenwich, sudeste de Londres, uma casa de apoio supervisionada por uma equipe de saúde mental. Considerada “boa” pelos médicos e pela equipe do local, Nicola fazia planos para mudar para um apartamento. Na verdade, Nicola estava longe de estar estável. Ela havia parado de tomar sua medicação anti-psicótica após ficar grávida de um outro paciente, e quando ela perdeu a criança num aborto espontâneo, ela piorou.
Em 11 de outubro de 2011, Nicola enviou uma mensagem ao seu irmão Tom pelo Facebook, era a primeira comunicação entre os irmãos desde a morte de Marion.
“Ninguém está tomando conta de mim como mamãe fazia.” Escreveu Nicola.
Tom ficou assustado com a mensagem. Ele contatou a Ambdekar House e pediu para que a irmã fosse imediatamente reassistida. Dois dias depois, em 13 de outubro, Nicola discou para o serviço de emergência inglês, o 999, e disse:
“A última vez que me senti assim, eu matei alguém, matei minha mãe.”
Parecia que Nicola estava implorando por ajuda. Policiais a encontraram e a levaram voluntariamente para o Hospital londrino Queen Elizabeth II. Dentro do hospital, ela novamente ligou para o 999 e gritou para ser presa, avisando que era muito perigosa. Pensando se tratar de um surto psicótico, profissionais do hospital a transferiram para uma Unidade de Saúde Mental. Enquanto uma enfermeira preparava sua cama, Nicola fugiu.
Pegou um ônibus para Bexleyheath, um bairro no subúrbio de Londres, invadiu uma loja e roubou uma faca. Ao ver uma mulher parada num ponto de ônibus, Nicola não pensou duas vezes: Correu em sua direção para matá-la. Kerry Clark, 22 anos, teve sorte. Talvez por ser jovem, conseguiu lutar contra Nicola que não conseguiu atingir o seu objetivo. Mas ela não parou por ai. Nicola invadiu um açougue e roubou um cutelo. Naquela mesma hora, Sally Hodkin, 58 anos, caminhava em direção ao seu trabalho como fazia todas manhãs. Sally teve, praticamente, sua cabeça decapitada por Nicola.
“Você é manipuladora e excepcionalmente perigosa. Você fez sua escolha e o fato é que voce deve assumir as responsabilidades pelos seus terríveis atos,” disse o Juiz Brian Barker, a duas semanas atrás, durante o Julgamento de Nicola Edgington, 32 anos. Nicola foi condenada a duas prisões perpétuas pelo assassinato de Sally Hodkin e tentativa de homicídio de Kerry Clark.
Hoje, Tom não tem certeza sobre como se sente em relação à sua irmã mais velha. Tom aceita que Nicola sofre de uma doença mental e transtorno de personalidade, mas não acredita que ela pode ser absolvida por suas responsabilidades. Sua ira é direcionada para os profissionais médicos que decidiram que Nicola estava bem o suficiente para estar de volta à comunidade.
“Nós conhecemos Nicola por toda vida. Nós sabíamos que ela era perigosa. Dissemos a eles que ela seria um risco para outras pessoas. Ela nunca deveria ter saído, mas eles simplesmente não quiseram nos ouvir.”

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A Casa 45

Eu sempre fui um garoto curioso. Sempre gostei de explorar lugares novos... Hoje eu me arrependo disso. Vou contar-lhes o que aconteceu. Era um dia de aula normal, chato como sempre. Meu professor de Geografia entrou na sala, com o bom humor de sempre. Ele comentou sobre uma antiga lenda da minha cidade, sobre uma casa no meio do mato. Eu já conhecia, então não prestei atenção. A lenda diz que, na floresta há placas enumeradas. Se você segui-las até o número 44, vai chegar numa parte completamente escura, onde há uma casa. Ninguém que foi até lá voltou vivo. Era só uma lenda... Pelo menos, era o que eu e meus amigos pensávamos. No dia seguinte, combinamos de ir até lá já que ara sábado e não teríamos nada para fazer. Infelizmente, quando chegamos lá, de tarde, os portões para a floresta estavam fechados. A cada placa, havia um portão de ferro e o primeiro estava trancado. Os policiais trancavam pois os vandalos entravam para quebrar tudo. Se tentássemos arrombar de dia, todos perceberiam, então voltamos de noite, quando ninguém mais passava por lá. Eu havia feito várias michas com clipes de papel e grampos de cabelo durante a tarde para abrir os cadeados, já que era mais de um e seria bom cada um ter um. Foi desnecessário ter tantos, levando em conta que só eu sabia abrir portas. Quando chegamos lá, fui destrancando os portões. quando chegamos no número 40, não conseguíamos enxergar nada e tivemos que usar a lanterna que havíamos trazido. Era estranho que quando começamos a usar a lanterna, nenhum portão estava trancado e todos estavam com alguma coisa vermelha, não sabíamos se era sangue ou ferrugem... Chegamos na casa, que estava bem conservada, como se tivesse sido abandonada há alguns meses e não anos como dizia a lenda. Deveríamos ter voltado naquela hora. Estávamos, contando comigo, em 5, quatro garotos e uma garota. Um dos meus amigos ficou com a garota do lado de fora, cuidando para ver se alguém vinha, assim teríamos tempo de fugir. Quando entramos, foi estranho. Havia coisas no chão, como se pessoas tivessem perdido quando foram lá. Andamos um pouco pela casa e voltamos. Do lado da porta de entrada, havia uma chave de carro pegamos e saímos para ver se seria útil. Logo que encontramos com o resto do grupo eles falaram que ouviram uivos. Acho que só eu ouvi o que eles disseram. Os outros dois amigos, que foram na casa comigo estavam procurando uma garagem na casa para ver se tinha um carro para testar a chave. O problema era que a casa não tinha garagem. Tudo na minha mente começou a se encaixar. As pessoas vinha aqui por curiosidade e entravam na casa, mas sempre viam alguma coisa que os aterrorizava fazendo-os correr e deixar coisas para trás e, os uivos podiam ser daquilo que caça os intrusos. Dessa parte que me arrependo. Eu não esperei meus amigos perceberem. Corri o máximo que pude enquanto ouvia meus amigos discutindo depois gritando de pavor e dor. Aquilo foi horrível. Quando os gritos pararam eu tive vontade de voltar, ajuda-los, chorar, mas o que eu vi me fez correr mais. Uma espécie de lobo gigante vindo atrás de mim. Ele trombava com tudo que encontrava então consegui chegar até a rua. Eu sabia que ia morrer. Minha sorte, era que eu encontrei uma garotinha. Eu gritei para correr, mas não adiantou. Preferi não olhar e aproveitar o tempo  mais. A rua anterior era escura e a que eu estava agora era bem iluminada. A criatura não vinha mais atrás de mim, tinha medo da luz. Andei um pouco antes de apagar e acordar num quarto escuro. Acendi a luz, em desespero. Vi aquilo de novo. Agora vivo sendo perseguido pelas sombras. Não durmo mais e todos aqueles que eu tenho algum contato morrem. O escuro nunca foi tão cruel... Hoje eu viajo pelo mundo, procurando o lugar perfeito. Eu posso estar na sua cidade agora, então fique longe do escuro...

contatos permanentes

Quando eu era adolescente tudo que eu mais queria era um celular, pois era a nova onda do momento, isso aconteceu no inicio dos anos 2000. 


Eu voltava para casa da escola andando, todos os dias, pois eram apenas 15 mim de caminhada, eu cortava o caminho por algumas ruas em que não passavam carros, nesse caminho eu passei por uma pilha de caixas de papelão e alguns sacos de lixo, acho que eu não estava distraída o bastante para deixar passar batido um detalhe tão mínimo, dentro de um dos sacos transparente, havia um celular. Eu não sou de revirar lixo, mas naquela época aquelas coisas custavam muito caro, e eu não ia perder a chance de pelo menos ver se aquele aparelho funcionava. 






Quando o peguei e o abri senti como se alguém estivesse me olhando, olhei para os dois lados, mas não havia ninguém, eu o coloquei no bolso do meu blusão escolar e corri para casa. Quando lá cheguei mostrei para minha mãe, o meu achado, e ela ficou impressionada com a minha sorte. Logo levamos o aparelho para o conserto, e ele voltou á funcionar, o senhor que o consertou deixou um bilhete junto ao pacote que nós enviamos. Que estava escrito: 


“Não consegui reconfigurar a agenda eletrônica, os números não podem ser apagados”. 


Bom, até ai tudo bem... Agora eu tinha um celular! Eu o exibi para minhas amigas e comecei a fuçar nele, ele tinha jogos e toques de celular, eu podia mandar mensagens e fazer ligações. Tudo estava indo muito bem, e parecia que aquele celular não quebraria tão cedo... 


Mas em uma noite quando eram três horas da manhã, o celular começou a tocar, não havia numero de telefone, nem alerta de mensagem, o celular apenas acendeu seu visor e começou a tocar, eu o atendi normalmente sem entender... “Alo?” 


Não havia voz do outro lado, apenas um chiado baixo que fazia algumas pausas, então eu desliguei o celular, e voltei a dormir. Durante o dia ele sempre funcionava normalmente, mas toda noite ás três da manhã eu recebia aquela mesma ligação, comecei a pensar que talvez o alarme também estivesse com defeito. 


Em uma noite de sábado, eu estava com meu namorado na sala, e o celular estava em cima da mesa, eu nem havia percebido, mas já eram três horas, eu o atendi e dessa vê eu ouvi algo entre os chiados... Era muito baixo, quase inaudível, mas dizia: 


“Amaldiçoada... Você está... Amaldiçoada...”. 


Pelo menos foi isso que eu entendi, mas eu fiquei pálida na mesma hora, e gelada também como se eu tivesse visto um fantasma, o que de fato não aconteceu, por que eu o ouvi. 


Assim nas noites seguintes, eu passei a não atende-lo e o usar apenas de dia, talvez eu achasse que era atividade paranormal demais para mim. Mas em outra noite eu tinha acabado de chegar de uma festa e confesso, eu estava um pouco alta... E adivinha que horas eram? 


O celular começou a tocar e eu falei: 


“É agora que eu quebro essa merda...”. 


Mas eu não o quebrei... 


Eu o atendi e perguntei: “Quem é?!! Quem é você puta mal amada?!!!” 


E a voz respondeu: “Eu sou sua maldição”. 


E eu louca de pedra respondi: “Maldição o caralh...” E desliguei na cara da tal alma. 


Eu tenho uma leve impressão de que essa coisa não gostou muito da minha brincadeirinha, no dia seguinte era meio dia quando o telefone tocou, e eu pensei que fosse minha mãe, e atendi com muito amor: 


“Fala mulher...”. Eu sempre brinquei com minha mãe, ela é minha melhor amiga e tenho muito orgulho disso... Mas não era minha mãe. 


“Eu sou sua maldição... Mas ao contrário do que você pensa, eu não falo com você por celular, eu estou bem aqui ao seu lado.” 


Eu gelei, meu corpo entrou completamente em choque, e então eu olhei para o lado enquanto tirava o celular da orelha... Mas não havia nada... 


Foi então que eu senti um bafo gelado no ouvido em que estava meu celular, e então ouvi um sussurro... “Eu estou bem aqui... Agora... Sua alma é minha...”. 


Foi então que o celular começou a vibrar... E então apareceu uma mensagem nele... 


“Seu numero foi adicionado á lista de contatos permanentes”

quarta-feira, 22 de maio de 2013

pesadelo

Meu maior pesadelo ocorreu quando ainda era um adolescente. Eu estava dentro de um hotel, e nele, era um detetive forense.


Cercado por um grupo de policiais, eu fui levado a um quarto de hotel em um andar muito alto. Ao chegar à porta, de número 167, fui colocado lá dentro. Um dos policiais fechou a porta atrás de mim e começou a desesperadamente bloquea-la fora, gritando pela porta e explicando que esta foi uma "simples precaução tomada a fim de evitar que o assassino tentasse voltar à cena do crime para acabar com as provas".


Eu (desconfiado com toda aquela situação, mas focado em meu trabalho), acabei não questionando esta "simples precaução", e fui direto para uma sala de estar. Sentado no sofá, havia um corpo. Um homem que parecia ter uns 30 anos estava morto, sentado com sua cabeça pendurada para trás sobre a almofada do sofá. Perturbadoramente o suficiente, um buraco muito grande atravessava todo seu estômago, assim como o sofá também. Fui até a parte de trás do sofá; entranhas, órgãos desmembrados e espumas ensanguentadas jogadas no carpete. Era muito fácil conseguir enxergar completamente através do buraco no sofá e do estômago do homem. Diante daquilo, eu mantive minha compostura, fiz algumas anotações e decidi seguir em frente.


Caminhei lentamente por uma pequena cozinha até chegar ao banheiro, e sua porta estava aberta. Deitado dentro da banheira, estava o cadáver de outro homem, muito mais velho e massacrado do que o primeiro. Seu corpo estava rasgado da área genital até sua garganta, e a água da banheira estava com coloração vermelho-escuro (graças a quantidade de sangue que escorreu de dentro dele). Fiz mais algumas anotações, e já estava prestes a me virar e sair, quando de repente, ouvi um barulho estranho, como se fosse um pé pisando em uma poça molhada. Desesperado, olhei em volta mais uma vez, quando notei uma mão segurando a base do vaso sanitário. Andei em direção a ela até que vi, lá no canto do banheiro, agachado no espaço entre o vaso sanitário e a parede, um homem, com suas mãos sangrando.


Ele correu pra fora do banheiro e bateu a porta ao sim, prendendo-a com uma cadeira. Fiquei parado, sem reação, ouvindo suas ações do outro lado da porta; objetos sendo arrastados freneticamente, respiração pesada e de repente.... silêncio. Aproveitando a oportunidade, dei um chute na porta e olhei em volta. Nada havia mudado, nenhum sinal de que aquele homem havia passado por aquele lugar. Havia, no entanto, um novo corpo deitado no chão da cozinha. Uma mulher, estranhamente famíliar, estava sem roupas e jogada de bruços no chão. Havia marcas de corte profundo passando por todo seu corpo; pernas, braços, barriga, seios, garganta e no rosto também. Seus olhos foram removidos, mas todo o corpo estava estranhamente limpo. Sem sangue, sem sinais de mutilação, além dos cortes profundos e de seus olhos perdidos.


Antes que eu começasse a estudar o corpo, de repente, duas pálpebras se abriram, afundadas profundamente nos recessos dos buracos dos olhos da moça. Dentro de sua boca aberta e escancarada, outra boca se abriu e sorriu. Seus dedos tremiam ligeiramente. Agora, tudo fazia sentido; aquele homem havia assassinado a mulher, dissecado seu corpo e estava usando sua pele como uma espécie de terno. E aquele rosto familiar... Quando me dei conta, cai pra trás na mesma hora. “MÃE?!”. O homem se levantou lentamente, olhou pra mim com aquele sorriso horrível estampado em seu rosto, e gritou: "Não estou bonita, filho?!".


choke


Bem, eu não tenho certeza por onde começar.
As últimas semanas têm sido muito duras para mim. Eu perdi minha mãe na última primavera para o câncer, que causou uma grande tristeza entre a minha família. No entanto, o meu pai levou-a pior. Ele nunca foi o mesmo depois da morte da mãe. Ele se trancava em sua casa, sozinho, fugindo do resto do mundo. Fugindo de mim. Era estranho. Ao longo de toda sua vida, ele sempre foi assim afastado.  Minha mãe, minha irmã, e eu éramos tudo o que ele tinha. Agora que minha irmã mais velha tinha crescido, casado e se mudado, eu acho que eu era tudo que ele tinha agora.

Duas semanas atrás
 
Uma semana depois
Dia Atuais
Eu recebi um telefonema. Eu estava no 4Chan, um site de imagens infames, lendo comentários em um daqueles tópicos " You Laugh, You Lose". Ugh, Se afastando longe do tópico. Tendo ficado na frente do meu monitor por horas em um silêncio morto, fui pego de surpresa quando o meu toque,  " Believe it or Not" do Joey Scarbury, soou a partir dos pequenos mas poderosos alto-falantes do meu telefone. Eu quase saltei da cadeira. Peguei meu celular, e verifiquei o identificador de chamadas. Era o hospital local, ligando para me dizer que o meu pai tinha se matado.
Minha irmã veio para o funeral. Foi bom vê-la novamente depois de todos esses anos, mesmo que fosse em circunstâncias adversas. Ela não levou o babaca do marido com ela. Nós compartilhamos alguns abraços, falamos sobre o falecido por um tempo, e então ela seguiu seu rumo.
Sua casa, e todo o seu conteúdo, foi dado a mim. É desnecesario dizer que foi um bom passo, de um quarto para meu apartamento. Eu decidi ir bisbilhotando o meu apartamento novo no dia seguinte, talvez limpar o lugar um pouco. Honestamente, eu não tinha idéia do que eu iria encontrar lá. Pelo que eu sei, ele tinha perdido todo o senso de pudor, após a morte da mãe. Eu meio que esperava ver merda manchada em todas as paredes, juntamente com mobiliário destruído.
Eu estava na porta da frente. Ao pegar a maçaneta da porta, uma sensação instantânea de pavor superou meu corpo. Eu gelei. A idéia de estar na mesma sala que meu pai havia se enforcado. Eu balancei a cabeça e engoliu meus sentimentos perturbados. Eu respirei fundo, me preparando. Fechei os olhos e abri a porta...
A porta da frente me leva para um corredor que se dividia em duas direções. Na minha frente havia uma porta, que leva para o banheiro. Para a direita era a sala de estar. Esperando o pior, eu virei a esquina... Para minha surpresa, tudo estava em bom estado. Eu fiz a varredura da área. Havia poucos sofás ao redor de um aparelho de televisão de aparência antiga. Meu pai nunca tinha sido tecnológico. O que me chamou a atenção, porém, foi o grande lareira perto da sala de estar. Eu não lembrava disso. Certo, eu só tinha estado na casa de um punhado de vezes antes, mas isso não estava aqui antes. Agora, a lareira não é exatamente o que me chamou a atenção. Era o que foi montado acima dela.
Foi um grande retrato emoldurado pintado de minha mãe, rodeado de velas na lareira. Algo apenas parecia um pouco fora do comum. Ela tinha um sorriso condescendente em seu rosto, como se dissesse: "Eu sei algo que você não" Mais uma vez, aquela sensação estranha. Eu realmente me senti como se eu não deveria estar naquela casa. Sendo o idiota que eu sou, eu decidi ficar lá por mais algum tempo. Se aventurar na cozinha, bisbilhotar. Os armários estavam cheios de conjuntos novos de pratos, e a geladeira estava cheia de nada alem de cerveja e água. Bom e velho pai.
Um pensamento passou pela minha mente. Eu deveria verificar o quarto principal, o quarto onde ele se enforcou. Eu empurrei de volta todos os sentimentos incertos que eu tinha, e começou a ir em direção aos fundos da casa. A porta do quarto de meu pai estava ligeiramente aberta. Nós no meu estômago crescendo sempre tão apertados, e eu lentamente empurrei a porta entreaberta. As dobradiças soltaram um rangido horripilantemente alto. Eu não tinha idéia de por que eu estava sendo tão quieto. Eu me esforçava para me convencer de que eu era a única pessoa na casa. E as borboletas no meu estômago se recusavam a ir embora.
O quarto principal era normal. Tudo parecia claro, eu dei alguns passos, enquanto analisava a área. Havia uma mesa de cabeceira ao lado direito de sua cama, seus óculos estavam descansando em cima, aparentemente intocados. Ele nunca gostou de usá-los, disse que o fazia parecer um "sissy-boy" (afeminado). À esquerda da sala tinha uma porta. E alguma coisa, eu não sei o que, me atraiu para esta porta. Eu queria abri-la. Não. Eu precisava abri-la.
Fazendo meu caminho até a porta misteriosa, fiz questão de ficar quieto. Mais uma vez, não me pergunte porquê. Eu me senti como se eu estaria perturbando algo se eu fizesse barulho. Mordi o lábio inferior, colocando a mão na maçaneta. Eu estava tremendo por antecipação. Fechei os olhos, e contando a partir de três, rapidamente abri o armário ...
Casacos. Lotes de casacos. Algumas calças e sapatos também. Era uma caminhada comum ao armário. Eu levei um suspiro, aliviado, mas secretamente desapontado... até que eu vi. Algo brilhante no chão. Ajoelhando-se, eu mudei algumas caixas de sapatos fora do lugar. E era uma alça de bronze, aparafusada ao chão.Eu também tinha notado um aumento no piso acarpetado. Era uma pequena escotilha, que levava para o porão. Meu coração disparou. O que poderia ser lá?
Meu desejo para a aventura tinha conseguido o melhor de mim. Sem pensar, peguei a alça de bronze e abri a escotilha. Olhei para dentro. Estava escuro. Todos os meus instintos foram contra o que eu estava prestes a fazer, mas ignorei completamente.
Eu pulei dentro.
Felizmente, não era uma grande queda. Eu era capaz de me puxar para fora se fosse necessário. O porão estava escuro, e extremamente empoeirado. Pescando no meu bolso, tirei meu Zippo. Levei algumas tentativas, mas finalmente consegui uma chama constante para iluminar pequena parte do quarto. Foi quando eu vi a última coisa que eu já esperava ver no porão da casa de meu pai. Um computador. Sentado à beira do quarto estava uma pequena mesa, teclado, mouse e um monitor. Uma dessas cadeiras de plástico brancas foi empurrada para a mesa.
Curiosamente, eu caminhei até ele. O computador parecia novo, como se nunca tivesse sido usado. Isso não poderia ser do meu pai. Por que ele teria um equipamento bom como este no porão? Puxei a cadeira frágil da mesa, e me sentei em frente ao monitor. Eu cruzei meus dedos, inclinou-se, e tentou arrancar o computador. Eureca, funcionou. O logotipo de boot do Windows 7 apareceu na tela. Mais uma vez, pareceu-me estranho que o meu pai era dono de um ótimo e caro computador. Ele me pediu para selecionar um usuário. Havia apenas um.
"DECEPÇÃO"
Um calafrio percorreu minha espinha. Decepção? Por que ele iria nomear seu perfil como “Isso” ?  Eu cliquei nele. Ele me pediu uma senha. Eu sorri, e digitei "Cheyenne". O nome da minha mãe. Inclinei minha cabeça para o lado. Algo estava errado. Seu fundo de tela era preto sólido. Não houve Bar Iniciar, e havia apenas um ícone. No meio da tela era um único arquivo executável.
"Choke.exe"
Minhas mãos tremiam. Eu não tinha idéia do que estava fazendo, e por que eu vim ali, em primeiro lugar. Eu queria voltar para o conforto do meu apartamento. A curiosidade não me deixou. Eu não consegui me controlar. Quase contra a minha vontade, eu parei o cursor sobre o ícone e dei um duplo clique.
A tela piscou. Eu percebi que havia algo errado com os cabos. Eu estendi minha mão atrás da máquina, para checar os fios.
Impossível. Não havia nada plugado.
O computador emitia um zumbido agudo, quase como se estivesse trabalhando sozinho em algo muito difícil. Tons de azul, vermelho, verde acendiam e apagavam no monitor. Os zumbidos do  computador se tornavam mais e mais alto, aumentando de intensidade a cada segundo. De repente, tudo ficou quieto novamente. Eu olhei para a tela. Houve um ponto vermelho bem no meio e por baixo um texto, simplesmente dizendo, "Decepção".
Meu coração estava batendo no peito. Tudo tinha chegado a um impasse. Eu relaxei, para o que parecia ser alguns segundos. Até que eu ouvi. O som de uma respiração pesada, e passos atrás de mim, chegando mais perto. Eu não ousava olhar para mudar meu olhar do monitor.
Os passos pararam. Quem, ou o que estava atrás de mim, se inclinou. Sua boca foi bem próximo ao meu ouvido.
Eu ouvi um sussurro de voz familiar,
"Choke".
Com grande força, uma corda foi enrolada no meu pescoço. Eu gritei mais alto que pude. A corda estava me sufocando, eu tinha sido puxado para trás da cadeira. E não conseguia respirar. Meu pescoço estava dolorido. Minha visão começou lentamente a desaparecer devido à falta de oxigênio. Eu ia morrer. Amordaçado, algo arranhou meu pescoço.
Não havia nada lá.
Eu estava com minhas mãos e joelhos, ofegantes por ar. Minha visão voltou, eu me levantei e cambaleei ao redor, tentando recuperar meus sentidos. Eu estava na sala, em frente à lareira. Olhando para mim era o retrato da minha mãe, olhando para baixo, para mim, com aquele sorriso condescendente.
Enquanto me sento aqui escrevendo isso, no meu apartamento de um quarto sujo, eu posso honestamente dizer,
"Não há lugar como o lar".

Eu não tenho nenhuma ideia de que diabos aconteceu.
Honestamente? Eu não quero saber.
Tudo o que eu tenho certeza, é que eu nunca vou pôr os pés naquela casa novamente.

o demônio do vestiario

Era mais uma aula chata de matemática. Estávamos aprendendo sobre equações de 2º grau, mas eu não conseguia me concentrar na aula.
Não conseguia parar de pensar na história que Deivid havia me enviado no Facebook, sobre uma famosa lenda da escola. Muitos alunos acreditavam que o vestiário abandonado era assombrado, tudo isso porque há alguns anos atrás três alunas foram encontradas mortas misteriosamente no vestiário, que hoje fica fechado, e a morte delas ainda é um mistério.
Apesar de o vestiário ficar sempre fechado, era possível ouvir barulhos estranhos sempre que eu passava em frente a ele, já que ele fica perto do ginásio da escola. E sempre que eu e meus três melhores amigos Deivid, Leandro e Matheus e vários outros alunos passávamos em frente a ele, era possível ouvir barulhos misteriosos como batidas na porta, arrastar de correntes, e até mesmo uma voz demoníaca e grossa que às vezes ouvia chamar o meu nome.
Como eu sempre fui muito fã de mistérios e coisas sobrenaturais eu tive a ideia de ir ate ao vestiário abandonado e descobrir se realmente tinha algo de anormal nele ou se era tudo coisa da minha cabeça.

- O que você acha da gente ir ate o vestiário mais tarde e descobrir se tem alguma coisa lá? – perguntei a Deivid.
- Fala sério? Você acredita nessas lendas idiotas de que o vestiário é assombrado, que tem um demônio lá dentro? Isso é historia pra botar medo em criança, você já tem 14 anos e ainda acredita nisso?
- Se você não acredita nisso então porque me mandou isso no facebook? Não me diga que você esta com medo de ir lá!
- Eu só te mandei aquilo porque todo mundo estava falando sobre a lenda, eu não acredito nessas besteiras e não tenho medo de nada. Se você esta querendo tanto ir ao vestiário abandonado, então vamos ir!
- Então tá. 19 horas em ponto agente se encontra em frente ao vestiário abandonado.
- Mais o vestiário fica fechado. Como agente vai entrar lá dentro?
- Eu fui à sala da direção hoje antes da aula pra pegar a minha prova de português e conseguir pegar a chave sem a dona ver.
- Então tá. Vou chamar o Leandro e o Matheus, vai ser legal pra botar medo neles…
- Combinado. 19 horas então.
Finalmente a aula já estava acabando, não tirava os olhos do relógio esperando o sinal bater pra eu ir embora. Quando ele finalmente bateu, eu sai correndo pra chegar rápido em casa.
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Já estava anoitecendo. Era umas 18:45 quando eu cheguei na escola e fui imediatamente ate o vestiário. Ninguém havia chegado ainda então eu encostei os meus ouvidos na porta do vestiário e ouço uns passos fortes e uns barulhos estranhos, como se fossem garras arranhando as paredes, e uma voz demoníaca chamava o meu nome insistentemente. O meu coração começou a ficar acelerado e eu estava tremendo, eu sentia que o medo estava se espalhando por mim. Então uma mão tocou o meu ombro. Eu levei um susto, ao me virar eu vi que era o Matheus que havia me assustado.
- Será que o Deivid e o Leandro vão vir? Eles ainda não chegaram – Eu disse preocupado e muito assustado.
- Eles devem vir, ainda não é 19:00h. Daqui a pouco eles chegam. – responde Matheus.
Pouco tempo se passa e Deivid e Leandro chegam rindo da minha cara de medo.
- Não acredito que eu vim aqui por que você acredita nessas lendas idiotas. É obvio que é tudo mentira! – Leandro diz ironicamente
Ainda com muito medo eu pego a chave do meu bolso. Tinha um monte de chaves então eu vou tentando um por uma, tremendo de medo do que poderia estar lá dentro. Depois de um monte de tentativas finalmente eu consigo abrir a porta.
Então entramos todos juntos no vestiário, ele estava muito sujo, cheio de poeira, tinha ate baratas andando lá dentro, afinal fazia muito tempo que ninguém entrava lá. Não havia absolutamente nada de anormal nele, nesse momento eu fiquei aliviado e desapontado ao mesmo tempo.
Quando agente se preparava para ir embora a porta se fecha sozinha, Deivid vai ate a porta para tentar abri-la mais não adiantou, estávamos trancados dentro do vestiário. Nesse momento começamos a ouvir um passo vindo do final do corredor junto com um arrastar de correntes que fazia um barulho Horrível e macabro. Eu fiquei desesperado, com medo do que podia aparecer.
Deivid, Leandro e Matheus ficam espantados e nem se quiser conseguem dizer algo de tanto medo, no final do corredor ele aparece. Era a coisa mais horrível e tenebrosa que eu já vi na minha vida. Era tão horrível que não tenho palavras para descrevê-lo. Ele era todo escuro, seus olhos eram vermelhos como fogo, e ele tinha dentes enormes e afiados como de um tigre e uma calda preta além de garras enormes como de um urso, e ele andava arrastando três correntes.
Enquanto ele andava em nossa direção, soltava uma risada maligna e sua voz demoníaca dizia coisas que não faziam sentido. Nesse momento agente tentava abrir a porta desesperadamente mais não conseguíamos. Eu paralisei e comecei a chorar enquanto meu coração estava a mil, eu sentei naquele chão imundo e sem conseguir fazer nada eu o via se aproximando. Deivid, Leandro e Matheus gritavam sem parar pedindo socorro enquanto isso minha vista ficava fraca e eu não conseguia ver quase nada, comecei a passar mal e fui paralisando aos poucos e então eu desmaiei.
Quando eu acordei já era quase meia noite minha cabeça estava doendo e quando me levantei eu vi o corpo dos meus amigos todos mutilados. Os pés e as mãos estavam arrancados e os órgãos todos pra fora, um banho de sangue. A cabeça deles havia sido arrancada e fincada no teto com uma estaca de madeira, a escola estava cheia de policiais e peritos que fotografavam toda a cena sem entender o que poderia ter feito aquilo.

No espelho estava escrito com sangue a seguinte frase:

“Vocês podem não acreditar que eu existo, mais eu acredito em vocês.”
Um policial me leva pra fora do vestiário enquanto eu fico paralisado sem entender o que havia acontecido, quando eu saio pra fora estava cheio de repórteres, policiais e curiosos querendo saber o que havia acontecido. Entre eles minha mãe e as mães dos meus amigos.
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Muito tempo se passou e ate hoje eu não consigo entender o que aconteceu. Ninguém acredita no que eu digo e eu não sei por que aquela coisa não me matou. Eu saí da escola e mudei de cidade para tentar esquecer o que aconteceu, a escola ainda está aberta, e o vestiário permanece fechado até hoje. Muita gente diz que quando passa em frente ao vestiário ainda é possível ouvir uma risada maléfica e barulhos estranhos.

susurros

Boa noite amantes de terror! Bom, antes do post eu queria falar uma coisa. Se você pegar alguma postagem do NOAdV, não se esqueça de colocar a fonte. É só isso mesmo rsrs. Então, aquela mesma frase de sempre, eu...

Espero te deixar assustado, e lembre-se: Não Olhe Atrás De Você !

Estou postando essa noite na esperança que clareie-se todos os mal-entendidos à respeito do desaparecimento de Debra Lindsay Caine, correndo assim os meu próprio risco. vida e pedras e essas coisas... Nada disso irá importar depois dessa noite. Considerem isso como minha patética tentativa de desculpas, nada além disso. É mais ou menos minha culpa que isso tudo tenha acontecido, afinal.


Mesmo em seu auge, a blogueira Sugarcaine era apenas mais uma comediante de internet. Ela era mais engraçada que a maioria e certamente hábil com a caneta, mas por outro lado não tão conhecida como o resto. Por anos as circunstâncias a respeito do seu desaparecimento eram apenas ocasionalmente mencionadas apenas nos mais obscuros tópicos de alguns fóruns. Ela teria sido esquecida por completo se aqueles funcionários públicos não tivesses encontrado a fita gravada na última segunda-feira.


A verdadeira identidade de Sugarcaine era uma menina ruiva fofinha que se vestia como um garoto chamada Debra Lindsay Caine. Sua irmã Payton descrevia ela como "... um saco cheio de pregos, punhos e opiniões apenas esperando uma desculpa para se abrir à alguém, regada a cerveja e Sprite desde que nossa pai morreu em '91."





Debra involuntariamente começou sua carreira como um blog de humor quando uma amiga convenceu-a a criar uma conta no MySpace. Ela achava que blogs eram puro egocentrismo, choramingo, e sem substância, e então começou a usar sua página do MySpace para parodiar as estúpidas divagações de seus semelhantes. Depois de certo tempo ela se graduou em menosprezar os populares e ocasionalmente por revisar alguns livros, revistas em quadrinhos, filmes, e qualquer e-mail de odiadores que ela recebia de sua crescente rede de leitores.


Ela rapidamente percebeu que as pessoas gostavam do que ela escrevia, e pela metade de 2005 ela aposentou sua conta no MySpace e começou seu próprio site de humor, Sugarcaine Junction (N.T: Junção de Sugarcaine, em tradução livre). Apesar da mais-que-decente escrita de Debra o site foi medíocre no seu melhor. A maioria dos viciados em internet nem sabiam que ela existia, muito menos que ela tinha desaparecido e possivelmente tivesse sido assassinada.


Até que os funcionários públicos acharam a fita.


Sugarcaine Junction nunca falhava em comemorar qualquer feriado e festivais que aconteciam, e seus artigos das estações eram geralmente os mais aguardados. Debra surpreendentemente compôs graciosas cações sobre bebida para seu artigo sobre a Oktoberfest, e um poema tocante para o dia dos pais, do qual ela se recusava a falar sobre depois. Para o Natal de 2005 ela escreveu séries de parodias de passagens bíblicas que quebrou o recorde de e-mails odiosos de uma noite para outra.


Naquela época eu era conhecido como DeadAtFifty (N.T: Morto aos cinquenta, em tradução livre) e era um dos regulares leitores das postagens de Sugarcaine. Durante a primeira semana de Outubro de 2006 eu sugeri que ela passasse a noite na casa assombrada da família Daley e escrevesse sobre a sua experiência para o artigo de Halloween. Ela anunciou para todos seus leitores que eu era um crianção e um débil mental. Eu adicionei o preço de mil dólares para a aposta. Ela ansiosamente aceitou.


Na última semana de Outubro Debra anunciou que ela faria sua longa viagem de carro até a Casa Daley para a "assustadora festa do pijama". Ela embarcou para lá na noite do dia 29, encorajando seus leitores à "ficarem ligados para mais detalhes à sua jornada de mil dólares até a casa Daley mal-assombrada!" Eu tinha a intenção de dar à ela o dinheiro, e nunca teria mencionado a casa caso eu soubesse o que aconteceria.
Debra sempre pesquisava sobre o assunto antes de suas "jornadas", apenas para fazer o louvor / paródia mais completa. No seu apartamento a polícia encontrou recortes de jornal desde 1960 sobre a Família Daley: A glorificação de Kevin Daley pelas vidas que salvou de um incêndio; O crescimento da fama de Jeff como um artista abstrato com apenas 11 meses de idade; os rumores de que Naomi derrubara propositalmente seu filho da escada causando ao menino Autismo Limítrofe; e é claro, a procura sem resultados dos corpos quando a família toda desapareceu em 1982.


A maior parte dos artigos eram testemunhos dos vizinhos e amigos da família sobre a última 
vez que viram os Daleys. A performance escolar de Jeff diminuiu, mas o trabalho que fazia nas aulas de arte era tão detalhados como sempre, representando reinos abstratos em formas retorcidas e sombras ameaçadoras - Imagens que ele não reproduzia desde que era criança. Ele afirmava que "sussurros" o fazia desenhar essas coisas. A única explicação que ele tinha para esses "sussurros" era "eles me seguem por toda minha casa; eu não consigo vê-los, mas eu sei que estão lá."


Eu não acho que Jeff Daley estava viajando ou sonhando: Eu acho que seus subconsciente era as portas para outros mundos, e talvez sua mãe soubesse disso e tentará o matar. Se esse fosse o caso, eu gostaria que ela tivesse sido um pouco mais persistente.
Os colegas de trabalho de Kevin o descreviam como "nervoso, constantemente no limite, como se estivesse sendo perseguido por um lunático e não pudesse despista-lo." Naomi, conhecida normalmente por receber os clientes à sua taberna com sorrisos brilhantes e calorosos olás, parecia ter rastejado para dentro de uma concha e se recusava a sair de lá. 


Ela começou a ter intervalos frequentes para ir ao banheiro, apenas para se dobrar num cantinho e chorar com as mãos tapando os ouvidos. E então um dia Jeff não apareceu mais na escola, e seus pais nunca mais apareceram no trabalho. Eles desapareceram no ar; e de acordo com seus vizinhos, eles não foram calados.


Outros artigos descreviam coisas estranhas, mas aparentemente banais como sons na casa abandonada dos Daleys de 1989-2004. Alguns desses artigos eram tão estranhos que eram considerados pegadinhas ou exageros grotescos.


O cão de um dos vizinhos correu para a varanda da casa dos Daley. Quando voltou, ele passou os próximos dos dias chorando a cobrindo seu focinho aparentemente por nenhuma razão. Em uma manhã os donos do cão acordaram para se deparar com o desaparecimento do cão que nunca mais viram.


Um jovem casal afirmou ter visto uma silhueta nas sombras do jardim frontal da casa, sussurrando algo para eles enquanto passavam pela casa tarde da noite. Eles não posem afirmar se havia ou não alguém lá, e enquanto continuavam sua caminha a forma os perseguiu por vários quarteirões até desaparecer completamente.


Vários carteiros deram depoimentos idênticos sobre ouvir movimentos e balbucios dentro da casa enquanto em sua rotina de trabalho em suas rotas. Um deles achou que era obra de alguns engraçadinhos fazendo um pegadinha e alertou a polícia. Eles nunca encontraram ninguém dentro da casa.


No começo da semana os funcionários públicos estavam preparando a casa para a demolição quando descobriram a fita de baixo de uma velha escrivaninha. Lembrando a história das pessoas desaparecidas, eles deram a fita para a polícia. O oficial que a recebeu - um amigo meu o qual o nome não será revelado - tinha sido um dia fã da Sugarcaine. Eu passei uma tarde inteira na casa dele ouvindo a gravação. Para espalhar a história pela internet eu transcrevi as gravações para meu próprio blog, o qual você pode ler abaixo:


*
[A fita começa com quinze segundos de silêncio. Quebrado por uma rouca voz feminina.]


"Não acho que eu tenha vindo alguma vez para esse lado da cidade. Tive que parar em um restaurante para pegar informações porque eu consegui me perder estupidamente. Acho que tenha sido uma hora de uma longa viagem, mas acho que será por volta da meia noite quando eu chegar ao local.
Ah, eu falei para a moça que eu estava indo visitar uma amiga minha que morava na vizinhança perto da casa Daley e ela ficou feliz por poder me ajudar. Imaginei que ninguém ficariam muito contente se eu ficasse falando para todos que eu passarei meu final de semana invadindo a casa dos outros. Mesmo que os Daley estejam bem mortos para dar a mínima"


[Silêncio por oito segundos. Suspiro.]


" Eu me sinto tão boba por estar fazendo isso. Mas vendo pelo lado positivo eu vou conseguir pagar meu aluguel mês que vem."


*
"Agora são... onze da noite em ponto. Demorei a eternidade para encontrar essa casa estúpida. Sempre entrava nas ruas erradas. Difícil perde-la depois que finalmente encontra. O jardim frontal é uma selva de videiras e três pés de grama infestados de milhões de espécies de insetos jamais vistos pelo ser humano. Você não consegue nem ver a porta de entrada pela rua durante a noite, porque as sombras a engole.
Estacionei dois quarteirões de distância e andei até aqui. Vou procurar uma janela que eu possa escalar e entrar na casa. Esperançosamente não quero precisar alcançar a porta de trás, pois isso levará a eternidade. Falarei mais quando entrar."


*
[Passos ocos sobre as velhas tábuas de madeira. Um série de batidas destorcidas enquanto o gravador sacode violentamente. Silêncio por dezesseis segundos]


"Tropecei. Uau, é um breu aqui. Onde está minha maldita...?”


[Silêncio arrastado pelo próprio minuto, e mais passos. Debra libera um ar exausto. Gravador se agita levemente]


"Okay, estou dentro. Meu acampamento está montado no... acho que é o escritório. Há uma velha empoeirada escrivaninha perto da janela, eu subi por esta janela e por uma estante até a porta. Ambas estão vazias. Estou pronta para fazer meu tour pela casa. Câmera apronta, embora esse lugar não tenha muito à se ver.Vou manter o flash desativado, então as fotos tenham que ser editadas depois que eu voltar. Eu deveria usar a lanterna desligada até meus olhos acostumarem mas... é, não vou fazer isso."


[Dois minutos de silêncio à parte das pegadas e ocasional som eletrônico de uma câmera tirando fotos. Tosse.]


" A casa é realmente espaçosa dentro dos seus dois andares. Ah, aí está você, escada imprecisa...O carpete foi todo rasgado exceto por um canto da sala de estar, de modo que o chão é todo de madeira dura."


[Pegadas. Alto, um grito parecido como de um humano vindo de uma das dobradiças enferrujadas de um porta. Debra solta um suspiro assustado, maldições.]


"... um banheiro mofado intocado desde mil novecentos e oitenta e dois..."


[Várias tossidas enquanto a câmera tira foto. Dobradiças mais guinchantes, silêncio significante. Mais cliques de câmera.]


"Ugh, menina coisa aranhas armadeiras em todo lugar!"


[ Sete minutos apenas com pegadas, cliques de câmeras e tossidas de Debra; Sons ocos de botas subindo escada, e pegadas mudam para mais altas, rangidos insalubres. Agora e depois Debra faz vários comentários sobre o layout da casa.]


"[Murmúrio inteligível] - poeira está me matando. Segundo andar é instável pra puxa vida. Espero que a construção não desabe em mim essa noite."


[Mais pegadas enquanto ela retorna para o primeiro andar. Na marca de dez minutos, silêncio mortal por aproximadamente vinte segundos. Debra exala.]


"Acho que é isso pelo tour. E eu vou dormir com as aranhas."


[Silêncio por dois minutos. Debra sussurrava para si mesma. Estalo de madeira]


"Achei uma madeira solta no chão do escritório. No estilo 'arrancada de propósito' solta. Eu terei que checar isso amanhã de manhã."


[Passos vagarosos, pesados e cuidadosos de botas no chão de madeira. Farfalhar de pano grosso. Tosse.]


"Ah, Deus, eu não consigo respirar nesse lugar. Certo, hora de dormir. Terminarei minhas anotações amanhã. Boa noite!"


*


Chocalhos no gravador. Debra começa a falar, mas só sai as primeiras silabas antes de ficar quieta novamente. Silêncio por mais um minuto]


"Há algo aqui..."


[Batidinhas de pés descalços. Silêncios. Rangido de porta. Farfalhar.]


"Malditos ratos. Eu sabia. Eu os ouvi cavoucando nas paredes do quarto. Eu devia ter trazido uma barraca.


*
[Suspiro exautorado]


"Okay, bem, eu não vou dormir essa noite depois de tudo, então eu vou erguer aquela tábua para passar o tempo. Falo mais sobre depois.


[ Chacoalhos são gravados enquanto o gravados e posto de lado. Nos próximos cinco minutos nada mais do som de unhas e algo metálico - provavelmente um canivete suíço - arranhando na madeira, e ocasionalmente, uma baque. Um ofego e o barulho de um pequeno objeto. As pegadas de Debra saem de alcance do som. Debra diz algo longe demais para ser ouvido e parece esperar uma resposta. Ela se repende, mais alto.]


"Quem está aí?”


[Nada por um minuto e meio. Barulho da porta do escritório se fechando. Batidinhas de pés descalços voltando. Chacoalho da fita.]


"Estou enlouquecendo. Eu juro que pude ouvir -"


[Silêncio. Arranhadas e batidas voltam, e momentos depois há um barulho de madeira sendo colocado de lado.]


"Ahá!"


[Farfalhar de papel]


"Hm..."


[Mais farfalhar de papel. Silêncio.]


"Hm, há... desenhos. Desenhos amassados recheando os pequenos espaços da tábua. Acho que são desenhos de Jeff Daley. Quando ele tinha cinco anos ele costumava desenhar seus pesadelos.Não, esses não podem ser de verdade. Os detalhes são -?”


[Amassando: papel sendo desamassado. Debra fala silenciosamente, quase inaudível, como se estivesse lendo algo pra si mesma. ]


"Não ouça. Não é o papai. Não é o papai. Não é..."


[Silêncio. Respiração profunda e tremida.]


"Okay, hm... Okay, isso não tem mais graça."


[Um som distante, possivelmente no corredor, e um suspiro agudo. Dois minutos e quarenta segundos de silêncio.]


"[Murmúrio incoerente] - não tem graça."


[ O som de novo, dentro de cinco pés do gravador. Uma voz humana falando quase como sussurros. Ela diz apenas uma palavra difícil de se entender, mas parece como o nome de Debra. O gravador se agita violentamente e atinge o chão.]


"Não tem graça! Pare com isso!"


[Silêncio. Batidas de pés descalços deixando o quarto. Três minutos passam sem barulhos exceto por baques periódicos dentro da casa e Debra gritando com raiva. Os passos voltam. Batida forte com a porta do escritório. Soluçar baixo a mais ou menos 3 pés do gravador. Nada mais por outro minuto.]


"[Falando muito baixo para que seja registrado no gravador. Sua garganta está restringida.]"


[Os soluços param em quando Debra abruptamente prende a respiração. A voz fala de novo baixinho, de dentro do quarto. Pés se debatendo pelo chão. A janela do escritório guincha enquanto é aberta. O resto da fita é silêncio.]


*


Debra postou um update na mesma noite. Não havia nenhum traço de sua narrativa costume. Ela trocou frases energéticas por maldições irritadas. Ela queria que alguém (eu) se desculpasse por algo que ela achava ser uma perversa pegadinha de halloween. Ela manteu um dos desenhos que encontrou na tabua solta e incluiu o desenho scaneado em sua postagem, condenando-o como uma tentativa óbvia de um artista adulto incapaz de reproduzir a obra de um garoto retardado de oito anos.


Desenhado inteiramente em giz de cera preto, parecia a caricatura de uma sala de estar feita por Salvador Dali. No meio de pé, uma forma negra com a cabeça negra distorcida (como em uma casa de espelhos), fazendo impossível saber se era humano ou não. A coisa olhava diretamente ao espectador por cima do ombro, com dois buracos negros sendo seus olhos. Mais três deles estavam além dele, também olhando para o espectador - era como se o ato de desenhar a cena tivesse tomado sua atenção. Embora seus rostos eram amorfos de branco e cinza, os três do fundo pareciam sorrir. E realmente sugeria um nível artístico além do que um menino de oito anos, mas o estilo se encaixava com os outros desenhos já vistos de Jeff Daley.


Debra e eu tivemos nossa parcela de mensagem de ódio depois daquela postagem. Metade dos leitores achavam que eu era um amigo por ter pregado nela uma pegadinha tão amiga; A outra metade achava que Debra estava pregando uma pegadinha nela mesmo, e quando nas duas atualizações seguintes era apenas descrições irregulares dos sons da casa Daley que a seguiram, todo mundo estava certo que era uma pegadinha dela. Eles ainda acreditavam que era uma brincadeira quando ela não atualizou nada por duas semanas.
No dia 4 de Novembro no meio da tarde, Debra ligou sua irmã, Payton. Ela estava chorando tanto que Payton não conseguia entender uma palavra que ela disse no começo.


"Ela soltou um discurso bêbado de partir o coração. Disse que estava arrependida de ter perdido meu casamento, arrependida por ser uma menina rancorosa quando estávamos crescendo, arrependida por ter chutado nosso cachorrinho quando tinha doze anos - pedindo desculpas por todas coisas bobas como uma confição desesperada de uma pecadora.
Ela parou para respirar, e eu ouvi alguém mais no quarto falando baixinho com ela como se não quisesse que eu ouvisse. Eu perguntei se ela queria que eu fosse até sua casa. Ela começou a soluçar de novo e disse, "Eu ouço o papai, mas não é o papai." Então ela desligou o telefone e eu chamei a polícia. Ele não encontraram ninguém quando chegaram lá. Eu falava com ela poucos minutos antes."


Maioria das pessoas continua pensando que o rapto de Debra pelo perseguidores sussurrantes dos pesadelos de Jeff Daley é uma farsa orquestrada por ela ou outro individuo doente. A fita foi declarada falta por céticos ignorantes um após o outro, e não vai demorar só que Sugarcaine Junction desapareça na escuridão novamente. Eu espero evitar isso, não porque eu sinta pena de Debra Lindsay Caine, mesmo que eu sinta; mas para prevenir desaparecimentos que nem o dela, como os funcionários públicos também desapareceram, e como o de meu amigo policial. Eles marcam seu território - Como eles marcaram a casa Daley e a fita - eles conseguem farejar qualquer coisa que entre em contato com eles. Uma vez que eles te farejem, eles te caçam como cães famintos até que te marquem também.
Eles te chamam baixinho como se tivessem medo de falar alto - as vezes dois quartos de distância, as vezes do seu lado. Eles imitam pessoas chegadas a você. Talvez porque acham assim mais engraçado. Mas você não pode ouvi-los. Você tem que cala-los, ou de outra forma, você está assustado demais para abrir seus olhos ou para mover um músculo. Você não terá chance de se matar antes que eles te arrastem para onde diabos seja o lugar que Debra foi levada também.


Eu vou tomar um banho com minha torradeira agora. Minha mãe tem me chamado o tempo todo na última hora, mesmo sendo que ela esteja morta a cinco anos.