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quarta-feira, 22 de maio de 2013

o demônio do vestiario

Era mais uma aula chata de matemática. Estávamos aprendendo sobre equações de 2º grau, mas eu não conseguia me concentrar na aula.
Não conseguia parar de pensar na história que Deivid havia me enviado no Facebook, sobre uma famosa lenda da escola. Muitos alunos acreditavam que o vestiário abandonado era assombrado, tudo isso porque há alguns anos atrás três alunas foram encontradas mortas misteriosamente no vestiário, que hoje fica fechado, e a morte delas ainda é um mistério.
Apesar de o vestiário ficar sempre fechado, era possível ouvir barulhos estranhos sempre que eu passava em frente a ele, já que ele fica perto do ginásio da escola. E sempre que eu e meus três melhores amigos Deivid, Leandro e Matheus e vários outros alunos passávamos em frente a ele, era possível ouvir barulhos misteriosos como batidas na porta, arrastar de correntes, e até mesmo uma voz demoníaca e grossa que às vezes ouvia chamar o meu nome.
Como eu sempre fui muito fã de mistérios e coisas sobrenaturais eu tive a ideia de ir ate ao vestiário abandonado e descobrir se realmente tinha algo de anormal nele ou se era tudo coisa da minha cabeça.

- O que você acha da gente ir ate o vestiário mais tarde e descobrir se tem alguma coisa lá? – perguntei a Deivid.
- Fala sério? Você acredita nessas lendas idiotas de que o vestiário é assombrado, que tem um demônio lá dentro? Isso é historia pra botar medo em criança, você já tem 14 anos e ainda acredita nisso?
- Se você não acredita nisso então porque me mandou isso no facebook? Não me diga que você esta com medo de ir lá!
- Eu só te mandei aquilo porque todo mundo estava falando sobre a lenda, eu não acredito nessas besteiras e não tenho medo de nada. Se você esta querendo tanto ir ao vestiário abandonado, então vamos ir!
- Então tá. 19 horas em ponto agente se encontra em frente ao vestiário abandonado.
- Mais o vestiário fica fechado. Como agente vai entrar lá dentro?
- Eu fui à sala da direção hoje antes da aula pra pegar a minha prova de português e conseguir pegar a chave sem a dona ver.
- Então tá. Vou chamar o Leandro e o Matheus, vai ser legal pra botar medo neles…
- Combinado. 19 horas então.
Finalmente a aula já estava acabando, não tirava os olhos do relógio esperando o sinal bater pra eu ir embora. Quando ele finalmente bateu, eu sai correndo pra chegar rápido em casa.
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Já estava anoitecendo. Era umas 18:45 quando eu cheguei na escola e fui imediatamente ate o vestiário. Ninguém havia chegado ainda então eu encostei os meus ouvidos na porta do vestiário e ouço uns passos fortes e uns barulhos estranhos, como se fossem garras arranhando as paredes, e uma voz demoníaca chamava o meu nome insistentemente. O meu coração começou a ficar acelerado e eu estava tremendo, eu sentia que o medo estava se espalhando por mim. Então uma mão tocou o meu ombro. Eu levei um susto, ao me virar eu vi que era o Matheus que havia me assustado.
- Será que o Deivid e o Leandro vão vir? Eles ainda não chegaram – Eu disse preocupado e muito assustado.
- Eles devem vir, ainda não é 19:00h. Daqui a pouco eles chegam. – responde Matheus.
Pouco tempo se passa e Deivid e Leandro chegam rindo da minha cara de medo.
- Não acredito que eu vim aqui por que você acredita nessas lendas idiotas. É obvio que é tudo mentira! – Leandro diz ironicamente
Ainda com muito medo eu pego a chave do meu bolso. Tinha um monte de chaves então eu vou tentando um por uma, tremendo de medo do que poderia estar lá dentro. Depois de um monte de tentativas finalmente eu consigo abrir a porta.
Então entramos todos juntos no vestiário, ele estava muito sujo, cheio de poeira, tinha ate baratas andando lá dentro, afinal fazia muito tempo que ninguém entrava lá. Não havia absolutamente nada de anormal nele, nesse momento eu fiquei aliviado e desapontado ao mesmo tempo.
Quando agente se preparava para ir embora a porta se fecha sozinha, Deivid vai ate a porta para tentar abri-la mais não adiantou, estávamos trancados dentro do vestiário. Nesse momento começamos a ouvir um passo vindo do final do corredor junto com um arrastar de correntes que fazia um barulho Horrível e macabro. Eu fiquei desesperado, com medo do que podia aparecer.
Deivid, Leandro e Matheus ficam espantados e nem se quiser conseguem dizer algo de tanto medo, no final do corredor ele aparece. Era a coisa mais horrível e tenebrosa que eu já vi na minha vida. Era tão horrível que não tenho palavras para descrevê-lo. Ele era todo escuro, seus olhos eram vermelhos como fogo, e ele tinha dentes enormes e afiados como de um tigre e uma calda preta além de garras enormes como de um urso, e ele andava arrastando três correntes.
Enquanto ele andava em nossa direção, soltava uma risada maligna e sua voz demoníaca dizia coisas que não faziam sentido. Nesse momento agente tentava abrir a porta desesperadamente mais não conseguíamos. Eu paralisei e comecei a chorar enquanto meu coração estava a mil, eu sentei naquele chão imundo e sem conseguir fazer nada eu o via se aproximando. Deivid, Leandro e Matheus gritavam sem parar pedindo socorro enquanto isso minha vista ficava fraca e eu não conseguia ver quase nada, comecei a passar mal e fui paralisando aos poucos e então eu desmaiei.
Quando eu acordei já era quase meia noite minha cabeça estava doendo e quando me levantei eu vi o corpo dos meus amigos todos mutilados. Os pés e as mãos estavam arrancados e os órgãos todos pra fora, um banho de sangue. A cabeça deles havia sido arrancada e fincada no teto com uma estaca de madeira, a escola estava cheia de policiais e peritos que fotografavam toda a cena sem entender o que poderia ter feito aquilo.

No espelho estava escrito com sangue a seguinte frase:

“Vocês podem não acreditar que eu existo, mais eu acredito em vocês.”
Um policial me leva pra fora do vestiário enquanto eu fico paralisado sem entender o que havia acontecido, quando eu saio pra fora estava cheio de repórteres, policiais e curiosos querendo saber o que havia acontecido. Entre eles minha mãe e as mães dos meus amigos.
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Muito tempo se passou e ate hoje eu não consigo entender o que aconteceu. Ninguém acredita no que eu digo e eu não sei por que aquela coisa não me matou. Eu saí da escola e mudei de cidade para tentar esquecer o que aconteceu, a escola ainda está aberta, e o vestiário permanece fechado até hoje. Muita gente diz que quando passa em frente ao vestiário ainda é possível ouvir uma risada maléfica e barulhos estranhos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

ESPELHOS


Sempre gostei de coisas assustadoras. Era daquele tipo totalmente cética, sempre buscando um desafio para por a prova o sobrenatural. Precisava disto e muitas vezes sequer entendia o porquê, era só um desejo de reafirmar o que eu pensava e talvez, no fundo, uma vontade de descobrir que havia algo mais.

Já tinha tentado parar com estas experiências um milhão de vezes, principalmente por causa de minha mãe, que não via com bons olhos esse meu interesse. Mas quando dava por mim, lá estava eu buscando, em algum site ou livro ocultista, uma idéia para por em prática esse meu estranho vício e, o que posso dizer, foi exatamente isto que ocorreu naquela tarde.

Era uma sexta- feira completamente normal. Voltei da escola e estava almoçando tranquilamente com meu irmão, quando minha mãe veio avisar que sairia com seu novo namorado. Aff, isto era um saco! Desde o seu divórcio, ela vinha saindo e acabava que eu que tinha que bancar a babá, mas naquele dia foi diferente, meu irmão pediu pra dormir na casa de um colega e já que mamãe deixou, eu passaria a noite sozinha.

Logo tive a idéia de aproveitar esse tempo e fazer alguma coisa pra testar meu medo, comecei a pesquisar e descobri algo muito interessante. Chamava-se ilusão do estranho no espelho e era muito simples, consistia em olhar seu reflexo de certa distância, iluminado apenas por uma luz atrás de você e, mesmo o site afirmando que se tratava apenas de uma ilusão, garantia que poderiam ser vistos monstros ou pessoas já falecidas. Assim decidi que era isto que eu faria naquela noite.

Eram 19 horas quando finalmente minha família saiu, depois de me despedir deles resolvi começar. Acendi uma vela e a coloquei numa prateleira que ficava de frente para o espelho do banheiro, apaguei a luz e comecei a encarar minha imagem.

Os minutos passaram, não sei dizer quantos, mas já estava desconfiando de que, como na maioria das vezes, nada aconteceria. Foi então que cometi meu maior erro, me aproximei do espelho, mesmo sabendo que deveria dar um espaço de 40 cm. Tornei a observar meu rosto, agora estranhamente com mais atenção, não sabia exatamente o porquê, mas toda aquela atmosfera estava me absorvendo.

Quando me dei conta, algo muito esquisito acontecia, era como se meu reflexo não acompanhasse meus movimentos, mas, diferente do que se espera, não fiquei com medo, pelo contrário, estava cada vez mais absorta no que via. Até que no meu momento de mais atenção, algo terrível aconteceu, a eu do espelho deu um sorriso totalmente demoníaco que me tirou do estado de quase transe, me fazendo bater violentamente com a cabeça na parede atrás de mim e desmaiar em seguida.

Abri meus olhos e me encontrei deitada em uma cama de hospital, vi minha mãe de relance perto da janela vindo até mim e logo fechei novamente os olhos imaginando que ela viria reclamar do que eu estava fazendo no banheiro, mas não, ela simplesmente me abraçou perguntando se estava tudo bem. Acho que o susto a fez esquecer-se da vela e eu preferi não tocar no assunto.

Pelo restante do dia não deixava de ter a sensação de que algo estava estranhamente errado, era como se o mundo ao meu redor estivesse diferente. Porém me disseram que era por ter passado a noite inconsciente e que por estar tudo certo teria alta no final da tarde. Assim minha mãe ligou para seu namorado que logo chegou para nos buscar.

Ao ver o carro notei algo engraçado, era um carro popular brasileiro, mas no modelo inglês, em que o volante fica do lado oposto ao que estamos acostumados. Tentei lançar um comentário sobre isso ser legal, mas fui respondida com um seco obrigado e achei melhor deixar isso pra lá. Devo ter dormido a maior parte do percurso até minha casa, por que só quando cheguei que tive a certeza que estava perdida.

Sai do carro em desespero ao ver que o numero do portão estava escrito de forma estranha, entrei em casa e tudo parecia no lugar errado, tudo invertido. Olhei um jornal e não conseguia entender o que estava escrito, as pessoas já estava se assustando com a minha reação. Me veio um bolo na garganta e uma vontade de chorar, corri pro banheiro e abaixei pra lavar o rosto e só então me veio na cabeça que estava aonde tudo devia ter começado, tomei coragem e levantei a cabeça só para ter a pior confirmação de todas: Meu próprio rosto no espelho rindo daquela familiar forma sinistra.

Já faz anos que estou neste mundo e bem, posso dizer que me acostumei. Já passei da fase de tentar voltar e hoje apenas evito olhar pro espelho, evito lembrar que alguém se passa por mim no mundo que um dia fora meu. Mas às vezes, só às vezes me pego pensando em como estão todas aquelas pessoas, amigos e familiares, que se tornaram meros reflexos.

E você, de que lado do espelho está?